BRASIL: O VICE-PRESIDENTE NA HISTÓRIA REPUBLICANA!
1. Num regime parlamentar essa não seria uma questão politicamente relevante, pois, no afastamento ou no infortúnio do falecimento de chefe de governo, a maioria parlamentar elege o primeiro-ministro da mesma forma que elegeu quem substituiu. Mas no regime presidencial, essa é certamente uma questão relevante, especialmente quando o novo presidente foi escolhido Vice por razões eleitorais e não políticas. No Brasil, vários foram os casos desse tipo.
2. Deodoro da Fonseca, que renunciou e assumiu Floriano Peixoto, que governou os 3 anos em estado de sítio. Rodrigues Alves, eleito para um segundo mandato, faleceu e não pôde assumir. Assumiu Delfim Moreira, que no meio do mandato sofreu de uma doença que o deixava totalmente desconcentrado e desligado de suas funções, o que transformou seu ministro, Afrânio de Melo Franco, em presidente de fato. Delfim veio a falecer no final do mandato. Da mesma forma, Afonso Pena, falecido a meio do mandato e substituído por Nilo Peçanha.
3. Getulio Vargas se matou, e a assunção de Café Filho deflagrou uma crise institucional. Janio Quadros, que renunciou e a assunção de Jango, vice, deflagrou outra crise institucional. Costa e Silva, após uma trombose cerebral, foi substituído por uma Junta Militar até que fosse escolhido seu sucessor. Tancredo Neves,assim como Rodrigues Alves, faleceu depois de eleito, e assumiu José Sarney. E Collor, afastado, Itamar teve que assumir.
4. Portanto, 9 casos em 100 anos de governos republicanos eleitos, ou 40% em 22 governos.
CANDIDATO DE URIBE CONTRARIA AS PESQUISAS, MAS NÃO OS ESPECIALISTAS!
1. Primeiro turno da eleição presidencial na Colômbia: Santos (candidato de Uribe), 46,6% \ Mockus (Verde), 21,5%\ Vargas, 10,5% \ Petro, 9,2% \ Noemi, 6,1% \ Etc. As últimas pesquisas indicavam Santos com 38% e Mockus com 34%. Qual a razão da diferença no voto?
2. Este Ex-Blog, analisando a eleição presidencial colombiana uns 10 dias atrás, em cima de uma ampla pesquisa sobre razão de voto, mostrava que a única alternativa possível a Uribe estava na avaliação negativa da economia e do desemprego. Mockus insistia na mudança de estilo e de tema, apostando em seu carisma e na pós-modernidade que incorporava. Os analistas acreditaram na linha de raciocínio de Mockus e na simbologia que traduzia. Erraram. Os especialistas não.
3. As razões para que a diferença abrisse próximo a eleição são conhecidas. Numa situação de estabilidade, com aprovação do combate de Uribe à narcoguerrilha, o binômio mudança/esperança seria perdedor. Com a proximidade da eleição, prevaleceria o voto conservador.
4. Além disso, na Colômbia, o voto NÃO é obrigatório. Votar em Santos/Uribe mobilizava. Votar no Verde-Esperança era festa. No final, votaram 50% dos eleitores, um pouco mais que na eleição anterior. As pesquisas se referem a todo o eleitorado. No último debate, dois dias antes da eleição, o ponto voltou a ser a insegurança em relação a mudar a política de defesa e de segurança de Uribe.
5. O medo/prudência venceu a esperança/mudança.
DIAP: SETE PARLAMENTARES DO ESTADO DO RIO ENTRE OS CEM MAIS INFLUENTES DO CONGRESSO!
Deputados por ordem alfabética: Brizola Neto (PDT) \ Chico Alencar (PSOL) \ Eduardo Cunha (PMDB) \ Fernando Gabeira (PV) \ Miro Teixeira (PDT) \ Rodrigo Maia (DEM) \ Senador Francisco Dornelles (PP).
A SALA PRINCIPAL DA CIDADE DA MÚSICA TEM A MELHOR ACÚSTICA DE TODO O MUNDO!
Theatro Municipal restaurado é aberto ao público. Um lindo teatro. Sua tecnologia acústica é centenária.
(movimento.com) Il Trovatore, encenado no Teatro Municipal no dia 29. Crítica. "É inacreditável, inaceitável e inconcebível que alguém que se julgue capaz de assinar a direção cênica de uma ópera não entenda patavina de acústica e das implicações que a ausência de uma sustentação acústica no palco possa causar ao resultado da performance musical. Quem esteve no Theatro no dia 29, com o palco totalmente aberto nas laterais, pelo alto, às vezes até por baixo, por tudo que é lugar, enfim, o som se espalhou em muitos momentos. A ausência de uma estrutura que projetasse o som sempre para frente já havia prejudicado a montagem de La Bohème em 2008 e, agora, voltou a prejudicar a produção de Il Trovatore".
PETRÓLEO: COLÔMBIA ULTRAPASSA O EQUADOR!
(P. Markey - Reuters/Valor, 28) A Colômbia duplicou recentemente suas estimativas de possíveis reservas comprovadas para 3,1 bilhões de barris. Seu vizinho Equador, pertencente à Opep, de 3,8 bilhões de barris, de acordo com uma avaliação da British Petroleum. Mas, com uma produção de quase 800 mil barris por dia, a Colômbia já está bombeando quase o dobro que o Equador e sua produção provavelmente atingirá 1 milhão de barris/dia no ano que vem.
AS "DÍVIDAS NÃO REGISTRADAS" DA PREVIDÊNCIA NA EUROPA!
Trechos de artigo de Ricardo Arriazu, economista - Clarín (23).
1. Todo o sistema de seguridade social é baseado no apoio das pessoas que trabalham para aqueles que não podem fazê-lo, quer devido à idade, doença ou incapacidade, ou por não conseguir um emprego. O surgimento de uma geração que preferiu não ter filhos e que acredita estar protegendo o seu futuro com base na "suposta" poupança ignorou o princípio básico do mecanismo de transferência de poder de compra. Quando a população é jovem, os aportes ultrapassam de longe os pagamentos de pensões, e os governos anunciam alegremente terem "superávit” fiscal e fazem planos para gastá-lo, enquanto que "as dívidas não registradas" são sempre ignoradas.
2. Quando a população envelhece os rendimentos ficam estagnados, os pagamentos de pensões crescem, e o governo terá que recorrer ao endividamento "registrado" para cumprir com suas promessas. Na verdade, o que está acontecendo é que a “dívida não registrada" está gradualmente se tornando registrada. Esta situação é comum a todos os países europeus, mas poucos têm tomado medidas para atenuar seus efeitos (Noruega, Dinamarca, Alemanha).
3. A população na Europa (incluindo a Europa Oriental e a Rússia) em 1950 era de 547 milhões de pessoas, com idade média de 29,7 anos e uma expectativa de vida de 65 anos. Desse total 292 milhões estavam em idade de trabalhar e superavam em 4,4 vezes os maiores de 60 anos (66 milhões). A situação em 2010 é totalmente diferente. A população cresceu para 738 milhões (um crescimento de apenas 0,5% ao ano), com um aumento na média de idade para 40,2 anos e na expectativa de vida para 76,1 anos. O número de pessoas em idade ativa aumentou para 422 milhões (45%), mas a quantidade de pessoas em idade de se aposentar aumentou para 161 milhões, de modo que a relação entre os dois grupos foi reduzida quase pela metade (2,61 vezes).
4. As projeções para as próximas décadas mostram a gravidade da situação. Estima-se que até 2050 a população total da Europa será reduzida para 691 milhões de pessoas, que o número de pessoas entre 20 e 69 anos será reduzida para 317 milhões (queda de 25%) e que a quantidade de pessoas com mais de 60 anos aumentará para 236 milhões, de modo que a relação entre estes dois grupos será reduzida para apenas 1,34. Os efeitos econômicos, financeiros e fiscais dessas tendências são dramáticos e já se fizeram explícitos no caso grego.
O Brasil deve inaugurar ainda neste ano o escritório do Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) na Venezuela. O presidente do instituto, Márcio Pochmann, viaja para o país nesta semana para se encontrar com o presidente Hugo Chávez, com quem definirá a inauguração da sucursal do IPEA em Caracas no segundo semestre deste ano. Para lá serão transferidos quadros do Ipea para a "atuação internacional".
Conforme o Boletim de Pessoal Extra, n.º 5, com data de 20 de maio de 2010, Pochmann autorizou o afastamento do servidor Mário Lisboa Theodoro para participar da "inauguração do escritório do Ipea em Caracas", entre os dias 25 e 29 de maio. Parece até brincadeira.
Quer dizer que estão usando o suado dinheiro dos impostos do povo brasileiro para montar aparelhos petistas no país de Hugo Chávez. Quer dizer então que o aparelhamento petista está ultrapassando as fronteiras do país e se tornando internacional, quiçá interplanetário...Ora, Ora, Ora... Não seria melhor que esses esquerdistas do IPEA devolvessem seus iPhones e fossem plantar cana em Cuba?
O internauta Leando Dalle questionou a ex-petista Soninha Francine sobre seu apoio ao Serra. Leia, abaixo um resumo da resposta:
Leandro, posso explicar, sim. Talvez não em poucas palavras, mas em muitas informações sobre o que vi, vivi e aprendi nos últimos anos. Pra não deixar sem nenhuma resposta agora, posso resumir assim:
- Descobri que o meio em que eu vivia - de petistas - inventava muitas barbaridades sobre o Serra. Por que o Serra? Não sei, talvez porque ele tenha sido o candidato do governo à sucessão do Fernando Henrique, portanto rival direto do Lula na disputa presidencial... Porque os petistas já pintavam os tucanos como o fel da terra (e eu, mesmo quando era do PT, achava isso um pouco absurdo), e o Serra como o próprio Satanás.
Só que os fatos, mesmo vistos de longe, já desmentiam algumas coisas que diziam sobre ele: como ele podia ser "queridinho" da grande mídia quando comprava briga contra a publicidade de cigarro, por exemplo - que era uma baita fonte de receita para os meios de comunicação? E como ele era parte da elite imperialista internacional, quando foi à OMC e lutou contra os lobbys e cartéis da indústria farmacêutica, conseguindo as quebras de patente em nome da saúde pública dos países mais pobres?
Mesmo com esses fatos, eu acreditava nas versões do PT... Afinal, o PT era o meu partido, eu tendia a concordar com tudo... Enfim, eu o detestava. Até ser vereadora e ele, prefeito. E descobrir que o demônio que pintavam não era nada daquilo. Mal humorado, impaciente, carrancudo, ríspido demais às vezes? Sim. Mau caráter? Não.
Em 2005, começo do meu mandato, o Serra me recebeu (a meu pedido), ouviu atentamente tudo o que eu disse e reconheceu que estava equivocado em algumas medidas que havia tomado como prefeito. Na manhã seguinte, desfez o que tinha feito. Depois, me procurou inúmeras vezes para perguntar de assuntos que acreditava que eu conhecesse melhor do que ele - políticas de juventude, meio ambiente, cultura. Cansei de vê-lo pedindo idéias, sugestões, opiniões. O contrário do que diziam dele...
Enquanto isso, o PT - que era o meu partido - continuava inventando, mentindo. Uma barbaridade. Analisava um projeto de lei enviado á Câmara pelo prefeito, concluía que o projeto era muito bom e... No plenário da Câmara, fazia DE TUDO para barrar o projeto. Saía do plenário para não dar quórum, subia na tribuna e passava meia hora falando horrores de um projeto que TINHA CONSIDERADO BOM - apenas para prejudicar "os tucanos" na eleição seguinte.
Mesmo assim, mesmo no meio da guerra mais suja - petistas espalhavam mentiras para assustar a população, uma coisa realmente horrorosa - se chegasse um Projeto de Lei de um vereador do PT e ele considerasse o projeto bom para a cidade, ele sancionava (isto é, aprovava). E se chegasse um Projeto de Lei de um vereador do PSDB e ele considerasse o projeto ruim para a cidade, ele vetava.
Aliás, nós ficamos amigos, e ele... vetou vários projetos meus. Ou seja, um comportamento REPUBLICANO, de respeito à Casa Legislativa e ao interesse coletivo. Mas o PT continuava espalhando que ele era autoritário, mentiroso, privatista, neoliberal... E que era repressor, "inimigo dos pobres", "amigo das elites", tudo de pior no mundo.
Mas o Serra ia fazendo coisas muito legais na cidade - criou a Coordenadoria da Diversidade Sexual, a Secretaria da Pessoa com Deficiência... O Centro de Juventude da Cachoeirinha, que é do cacete... Pegou um esqueleto que estava lá abandonado desde o Janio Quadros e fez um troço muito legal...Criou a Virada Cultural. Fez os benditos hospitais de Cidade Tiradentes e do M Boi Mirim - que o PT anunciava que a Marta tinha feito, quando na verdade ela não tinha começado nem a cavar o alicerce...
E chamou para trabalhar com ele pessoas que tinham trabalhado com a Marta, sem a menor hesitação, sem rancor e ressentimento, porque considerava que elas eram competentes. Enfim, eu VI, eu testemunhei, condutas absurdas do meu partido - e condutas admiráveis do Serra, que o meu partido pintava como o enviado do capeta.
Resultado: (lembre-se, este é um resumo, a história completa é uma enciclopédia) saí do PT, que foi se distanciando barbaramente dos ideais que pregava, adotando o "vale tudo" (pra governar, pra ser oposição), e fui para um partido de oposição. Que hoje apóia o Serra para presidente, assim como eu.
E eu nem falei do governo do estado... Se você odeia o Serra como eu odiava, eu sei que não vai mudar de idéia assim tão fácil. Não tenho essa pretensão. Mas gostaria que você acreditasse em mim: é com muita convicção que eu voto nele, baseada nos meus 6 anos de vida mergulhada integralmente na política.
Em campanhas eleitorais, é muito comum a disjuntiva esperança x medo. Na maioria das vezes, os candidatos competitivos atribuem uns aos outros riscos quanto ao futuro, de forma a aportar insegurança nos eleitores.
Num artigo no jornal "El Tiempo", de Bogotá, o jornalista León Valencia, analisando a eleição presidencial, tenta explicar a performance do candidato verde, Antanas Mockus, usando essa disjuntiva. Cita John del Cecato, estrategista do Partido Democrata, que fez essa aposta vitoriosa na eleição de Obama. Seu princípio é: "A esperança vende mais que o medo".
No caso da Colômbia, era e é uma aposta difícil, na medida do sucesso do presidente Uribe na guerra contra os narcoguerrilheiros das Farc.
Paradoxal é o caso brasileiro. Por anos, durante as seguidas tentativas desde 1989, Lula respondia com seu jingle a seus adversários que lançavam sobre ele uma nuvem de insegurança e medo. Não faltou o apoio de artistas: "Lula-lá, sem medo de ser feliz"; "Lula-lá, cresce a esperança".
Curioso paradoxo. O que parecia um preconceito em relação ao candidato operário apoiado pelas esquerdas era, na verdade, uma velha fórmula aplicada por candidatos do governo contra a oposição.
Collor não foi exceção, apoiado que era pela direita no governo, com o presidente Sarney isolado em seu próprio partido. Já na eleição de 2006, esses sinais começaram a ficar claros, no segundo turno, quando o tema privatização, foi lançado pela campanha de Lula para gerar insegurança em relação a Alckmin.
Na atual campanha, aquela disjuntiva volta. Quem está no governo se dirige à oposição com o velho e surrado discurso do medo. Medo de que o programa Bolsa Família seja descontinuado, de que novas privatizações poderão vir etc.
A mesma lógica lançada contra Lula pelos governos é agora lançada pelo governo de Lula contra a oposição: emplacar no eleitorado a sensação de medo quanto ao futuro.
Antes, e agora também, a oposição procura reagir da mesma forma: dizendo que nada disso é verdade e que tais ou quais vetores terão continuidade. Quanto mais fortes as instituições democráticas, mais desmoralizada é essa apelação ao medo que fazem os governos reiteradamente.
Esperança é a metáfora usada pelas oposições -aqui e alhures- para tratar de mudança, com o sujeito oculto pelo verbo. E o eleitor pode perceber assim. Os governos -seus candidatos e agora candidata- traduzem o discurso da oposição por mudança, em insegurança para o eleitor.
Numa situação de crise, é fácil desmontar a bandeira do medo. Numa situação de normalidade, não é tão fácil.
Cesar Maia escreve aos sábados na Folha de S.Paulo
Em relação a declarações do réu confesso Durval Barbosa, publicadas no jornal O Estado de São Paulo nesta sexta-feira, 28 de maio de 2010, reafirmando, em nome de todo o partido, a mais absoluta e inabalável confiança na correição em nosso presidente, o deputado Rodrigo Maia (RJ), e nossa irrestrita solidariedade a ele, vimos a público para:
- repudiar, com veemência, a atitude leviana e irresponsável com a qual o indivíduo Durval Barbosa se apresenta e trata de um assunto da natureza do que ele está envolvido;
- repudiar e manifestar estranheza com a forma com que o referido sujeito busca notoriedade – e encontra –, se valendo da condição de criminoso protegido pelo regime de delação premiada para tentar enlamear pessoas que têm o respeito de todos justamente por sua reputação ilibada;
- reiterar a crença na Justiça, esperando sejam tomadas medidas para que réus confessos não confundam o regime de delação premiada com licença para a prática de leviandades como a registrada pelo jornal.
Brasília, 28 de maio de 2010
Jorge Bornhausen – Presidente de Honra dos Democratas
Senador Marco Maciel – ex-presidente dos Democratas
Senador Agripino Maia (RN) – líder dos Democratas no Senado Federal
Deputado Paulo Bornhausen (SC) – líder dos Democratas na Câmara dos Deputados
1. No mundo todo, a imprensa cobre as campanhas eleitorais como uma luta de espadachins ou uma corrida de cavalos. Apresenta as declarações, performances, opiniões dos candidatos como um duelo. Aqui no Brasil não é diferente.
2. O problema não está nesse tipo universal de cobertura. O problema está nos candidatos competitivos acreditarem que são espadachins e que estão em um duelo. Quem entra nesse jogo, em geral, perde a eleição. Atinge seu adversário com um golpe de espada e está certo que esse é o caminho do sucesso. Não é.
3. Quem desfere os golpes mortais nesse ou naquele espadachim, é o eleitor. É um duelo curioso, que é o distinto público que escolhe o vencedor. E escolhe conversando com as pessoas que tem contato, sempre ou eventualmente. Um golpe forte de um espadachim fazendo sangrar o adversário pode ser percebido pelo público, vitimando quem foi golpeado, e anotando pontos a favor desse.
4. Portanto, não é tão simples como um duelo, a lógica e dinâmica eleitorais. Os contendores devem estar sempre pensando se seus golpes e seu comportamento estão chegando às centenas de milhares de eleitores, e como estes estão reagindo em seu círculo social. Ou seja, se ele duela em nome dos eleitores e com o entusiasmo desses. A lógica do espadachim pode não ser a lógica do eleitor.
5. Muito mais importante que o espadachim ficar olhando para as câmeras de fotos e TV, ficar fitando apenas seu adversário ou mirando os que estão na área VIP assistindo o duelo, é entender que ele é parte de um todo, com o qual deve interagir, e é mesclado a esse todo que conseguirá a vitória. E não sua habilidade no manejo da espada.
200 ANOS DE INDEPENDÊNCIA DA AMÁERICA HISPÂNICA?
1. O ciclo de independências da América Hispânica tem dois momentos. O primeiro, após a ocupação por Napoleão da Espanha e a prisão em solo francês, de Carlos IV e Fernando VII, seu filho, a quem transferiu a coroa, que na prisão renunciou em favor de seu pai, e esse em favor de José Bonaparte, irmão de Napoleão.
2. Nesse período, a coroa espanhola foi substituída por Juntas Governativas com a presença das autoridades espanholas anteriores. Quase todas as tentativas de independência, aproveitando o vácuo de poder, foram frustradas. Moreno, líder portenho, afirmava que a América Hispânica não era subordinada a Espanha, mas a Coroa que com a deposição dos reis, não havia porque se submeter a José Bonaparte. Mas seria com o retorno.
3. Apenas em uma província, a independência ocorreu desde aí, de forma definitiva: o Paraguai. Na hoje Argentina, na época províncias do vice-reino do Prata, o movimento inicial se circunscreveu a Buenos Aires estimulado pelas tentativas de ocupação pela Inglaterra em 1806 e 1807, e se alastrou levando a independência em 1816. O que se comemora em 2010, é o início do processo de independência em 1810. O Chile, que também comemora este ano os 200 anos de independência, na verdade, depois das tentativas de derrubar a Junta Governativa, esta recuperou o poder inteiramente para a Coroa e a independência só ocorreu em 1817 sob a liderança de San Martin, vindo da Argentina.
4. Com a expulsão de Napoleão e a reassunção da coroa por Fernando VII, com as exceções citadas, a Coroa de Espanha recuperou o poder, ao meio de um quadro de reação crescente dos que lutavam pela independência, com as simpatias da Inglaterra. Esse processo começa a ser revertido com a reação "liberal" ao absolutismo das Coroas da Espanha e Portugal que culminaram com as chamadas revoluções constitucionalistas de Madrid e do Porto.
5. Esse período é o ponto de inflexão definitiva e de independência de fato e de direito de todas as províncias da América Hispânica, com o estilhaçamento dos vice-reinados e a criação de quase todos os países como conhecemos hoje. Cuba foi o único a não se tornar independente até 1902, quando da guerra EUA-Espanha. Assim mesmo permaneceu até 1933 com uma clausula constitucional que permitia a intervenção dos EUA se sentisse que seus interesses estavam ameaçados (Emenda Platt).
6. Só no período 1816-1822, é que ocorreram de fato e de direito as independências da América Hispânica. Mesmo assim o desenho de alguns países só foi definido muitos anos depois. É o caso dos EUA que comprou a Lousiania em 1802, absorveu a Florida em 1817, o Texas em 1834 e a Califórnia em 1848.
7. As razões pelas quais a desintegração da América Hispânica e os países resultantes disso, não construíram sistemas estáveis e a América do Norte sim, é outro capitulo que se explica pelas razões que levaram a independência em um e outro caso. Fica para outra vez.
O AVIÃOZINHO!
1. Se há fatos que nunca geraram problemas para o Rio são os eventos ao ar livre, shows que reúnem multidões. A própria polícia diz que os registros são mínimos ou inexistentes nesses grandes shows. As pessoas se divertem e tem sua privacidade, espontaneidade e segurança garantidas.
2. Há um elemento central para se entender a psicologia das massas: é o ocultamento ou a impessoalidade. Alguém dentro de um grande evento, seja um grande show ou um grande comício, sente ao mesmo tempo sua individualidade e ser parte do todo. De fora para dentro, essa privacidade é garantida pela própria aglomeração.
3. Esses shows vêm ocorrendo no Rio e sempre com máximo sucesso. Mas agora, a prefeitura-Rio quer comprar um aviãozinho, um vídeo-aviãozinho, que gravaria, de cima, as imagens internas do público nos shows. Com isso, dizem, querem garantir a segurança do evento. Mas para que, se a característica principal deles é a paz, a tranquilidade e a alegria?
4. O vídeo-aviãozinho quebraria a privacidade e cada um se sentiria filmado, seja um beijo, seja um rebolado, seja coçando o nariz, etc. Cada vez que o vídeo-aviãozinho passar, produzirá uma retração no comportamento, a perda da espontaneidade.
5. Esse vídeo-aviãozinho só pode ter passado na cabeça de quem não conhece o Rio, ou quem sabe, por alguma tara para ver depois imagens íntimas, pessoais e espontâneas. Que tal programar os vôos desse vídeo-aviãozinho no local de moradia onde moram essas "autoridades municipais".
ANTHONY GIDDENS, TEÓRICO DA TERCEIRA VIA, EXPLICA O TRABALHISMO APÓS SUA QUEDA!
(Clarín, 20) 1. O trabalhismo conseguiu permanecer no poder por mais tempo do que qualquer outro partido de centro-esquerda nos últimos tempos, incluindo os países escandinavos. Foi um feito de grande importância, dado que o partido nunca antes tinha estado no poder durante dois mandatos completos em seus mais de cem anos de existência. As mudanças ideológicas associadas à criação do termo "Novo Trabalhismo" constituíram grande parte da razão de seu sucesso eleitoral.
2. O novo trabalhismo não era uma etiqueta vazia pensada para esconder um vácuo político. Pelo contrário, foi desde o início um forte diagnóstico do porque a inovação era algo necessário na política de centro-esquerda e também uma agenda política clara. Os valores da esquerda - solidariedade, redução das desigualdades, proteção dos menos favorecidos, somados a firme convicção do papel fundamental de um governo ativo para alcançá-los - permaneceram intactos, mas as políticas destinadas para alcançar esses fins tiveram que sofrer uma mudança radical devido às profundas alterações que ocorriam na sociedade.
3. Estas mudanças incluíam a intensificação da globalização, o desenvolvimento de uma economia pós-industrial ou de serviços e, na era da informação, o surgimento de um a cidadania mais volúvel e combativa, menos respeitadora das figuras de autoridade que no passado (um processo que logo o advento da internet expandiu ainda mais). A maioria das políticas trabalhistas derivou dessa análise. A era da gestão da demanda keynesiana, vinculada à direção estatal da economia, havia terminado.
4. Tinha que ser estabelecida uma relação diferente entre o governo e empresas, e reconhecer o papel fundamental das empresas na criação de riqueza, assim como os limites do poder estatal. Nenhum país, por maior e poderoso que fosse, poderia controlar esse mercado. O advento da economia de serviços ou baseada no conhecimento se juntou à redução da classe trabalhadora, reduto tradicional do Partido Trabalhista.
5. Para ganhar as eleições, portanto, um partido de centro-esquerda teria que chegar a um espectro muito mais amplo de eleitores, incluindo aqueles que nunca haviam apoiado o trabalhismo, que já não podia continuar sendo somente um partido de classes. Com Tony Blair, que não era exatamente um trabalhista da velha escola, o partido pareceu ter encontrado o líder perfeito para alcançar esse objetivo.